Reposição hormonal e coração: o que mostrou um estudo de Israel
Um estudo divulgado pela American Heart Association acompanhou mulheres de 45 a 59 anos por até 23 anos e não encontrou aumento de infartos, AVCs ou tromboses com a reposição hormonal.

Neste artigo
Em resumo
- Mulheres de 45 a 59 anos que começaram a reposição hormonal tiveram praticamente o mesmo número de infartos, AVCs, tromboses e mortes antes dos 80 anos que mulheres parecidas que não fizeram reposição.
- O acompanhamento foi de até 23 anos (12 anos em média), com dados do sistema de saúde Clalit, em Israel.
- Limite: é um estudo observacional, apresentado em congresso e ainda não publicado em revista científica. Mulheres com histórico de doença cardíaca, trombose ou câncer ficaram de fora.
Por mais de 20 anos, muitas mulheres deixaram de lado a reposição hormonal por um medo específico: o de que os hormônios fizessem mal ao coração. Um estudo divulgado na segunda-feira (2 de novembro) pela American Heart Association (AHA) traz um dado novo para essa conversa.
Os pesquisadores acompanharam mulheres de 45 a 59 anos por até 23 anos. As que começaram a reposição hormonal não tiveram mais infartos, AVCs, tromboses ou mortes precoces do que as que não começaram.
O que o estudo encontrou
Segundo o comunicado da AHA, os números foram praticamente iguais nos dois grupos:
- Infarto, AVC ou doença cardíaca relacionada: 2.311 mulheres no grupo com reposição e 2.383 no grupo sem reposição.
- Morte antes dos 80 anos: 659 contra 653.
- Trombose venosa (coágulos): 174 contra 175.
Os resultados foram parecidos entre as diferentes formas de reposição usadas: comprimido, adesivo ou gel.
Como o estudo foi feito
- Origem dos dados: prontuários da Clalit Health Services, uma organização de saúde de Israel.
- Participantes: 52.330 mulheres de 45 a 59 anos, sem histórico de doença do coração, trombose ou câncer, segundo o comunicado.
- Comparação: mulheres que começaram a reposição (principalmente por comprimido e/ou adesivo) contra mulheres que tinham ido ao ginecologista recentemente, mas não começaram.
- Grupos equilibrados: os pesquisadores parearam as mulheres por idade, peso (IMC), pressão, colesterol, diabetes, tabagismo e nível socioeconômico.
- Tempo de acompanhamento: até 23 anos, com média de 12 anos.
O pesquisador principal é Ronen Arbel, da Clalit Health Services e do Sapir College, em Israel. O trabalho será apresentado nas Sessões Científicas da AHA, em Chicago, de 6 a 9 de novembro de 2026.
Por que esse resultado chama atenção
O medo do coração veio, em boa parte, de ensaios clínicos antigos. Segundo a própria AHA, muitos deles usaram formulações mais antigas, doses mais altas e mulheres que começaram o tratamento muitos anos depois da menopausa.
Em novembro de 2025, a FDA (a agência de medicamentos dos Estados Unidos) retirou os alertas de tarja preta dos produtos de reposição hormonal. O novo estudo vai na mesma direção para quem começa a reposição na faixa dos 45 aos 59 anos.
A AHA também lembra que as diretrizes do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomendam começar a reposição nos primeiros 10 anos após o início da menopausa e antes dos 60 anos.
Os limites desse estudo
- É observacional: mostra uma associação, mas não prova causa e efeito.
- Ainda não passou por revisão de outros cientistas: é um resumo de congresso. Os números podem mudar quando o artigo completo for publicado.
- Fatores não medidos: os grupos podem ser diferentes em exercício, alimentação, outras doenças e intensidade dos sintomas da menopausa.
- Só o primeiro tratamento contou: as mulheres foram classificadas pelo primeiro tipo de reposição usado. Trocas posteriores não foram acompanhadas.
- Não vale para todas: mulheres com histórico de doença cardíaca, trombose ou câncer não entraram no estudo. E o câncer de mama não foi analisado aqui.
O que isso muda na prática
Para mulheres de 45 a 59 anos sem histórico de doença do coração, trombose ou câncer, o estudo reforça que o medo do coração, sozinho, não deveria encerrar a conversa sobre reposição hormonal.
Mas a decisão continua sendo individual. Ela depende dos seus sintomas, do seu histórico pessoal e familiar e de outros riscos que este estudo não avaliou. Se os sintomas da menopausa atrapalham a sua vida, leve o assunto para a próxima consulta com o seu ginecologista. Não comece nem pare hormônios por conta própria.
A menopausa não é só hormônio
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Perguntas frequentes
A reposição hormonal aumenta o risco de infarto?
Neste estudo de Israel, com mulheres de 45 a 59 anos sem doença cardíaca prévia, o número de infartos, AVCs e doenças cardíacas relacionadas foi praticamente igual entre quem fez e quem não fez reposição (2.311 contra 2.383 casos).
E o risco de trombose?
Foi praticamente idêntico: 174 casos no grupo com reposição e 175 no grupo sem reposição.
Adesivo, gel ou comprimido faz diferença?
No estudo, os resultados foram parecidos entre as formas. A escolha deve ser feita com o médico, considerando o seu histórico.
Referências
- Long-term study finds modern hormone replacement therapy not linked to heart disease risk. American Heart Association Newsroom, 2 de novembro de 2026. Resumo apresentado nas Sessões Científicas da AHA 2026 (Arbel R. et al.).
- Menopause Hormone Therapy Doesn’t Increase Women’s Heart Risk, Study Finds. Thompson D. HealthDay News, 2 de novembro de 2026.
Como este texto foi feito
Escrito com apoio de ferramentas de pesquisa e revisado pelo Dr. Renato Silveira, que conferiu cada número no estudo original (linkado nas referências) e responde pelo conteúdo. Política editorial.
Transparência: o autor é diretor-geral do grupo NewHealth / H9 Pharma. Este artigo é educativo e não recomenda produtos da empresa. Conflitos de interesse.
Este conteúdo é educativo e não substitui consulta individual com médico ou outro profissional de saúde.
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