Menopausa e metabolismo

Mio-inositol depois da menopausa: o que um estudo com 80 mulheres encontrou

Em 80 mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica, mio-inositol e dieta por 6 meses baixaram resistência à insulina e triglicérides. Veja limites.

Mulher madura sorrindo em casa
Mulher madura sorrindo em casa. Foto: Vitaly Gariev / Unsplash
Neste artigo
  1. Por que a menopausa mexe com a insulina
  2. O que é o mio-inositol
  3. Como o estudo foi feito
  4. O que eles encontraram
  5. Os limites desse estudo
  6. Quando procurar um médico
  7. O que fazer na prática
  8. A resistência à insulina responde ao controle
  9. Perguntas frequentes

Em resumo

  • Mio-inositol somado à dieta melhorou resistência à insulina, pressão e gorduras do sangue na pós-menopausa.
  • Em 6 meses, o índice de resistência à insulina (HOMA) caiu 75% e os triglicérides, 20%, no grupo do mio-inositol.
  • Limite: um único estudo curto, com 80 mulheres que já tinham síndrome metabólica; não testou prevenção.

Em um estudo italiano com 80 mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica, as que tomaram 2 gramas de mio-inositol duas vezes ao dia, junto com dieta, por 6 meses, tiveram queda de 75% no índice de resistência à insulina, de 20% nos triglicérides e de 11% na pressão diastólica (a “mínima”). O grupo que fez a mesma dieta com placebo teve resultados menores. O trabalho foi publicado em 2011 na revista Menopause (Giordano et al., 2011).

Por que a menopausa mexe com a insulina

Depois da menopausa, o corpo muda a forma de guardar gordura. A gordura tende a ir para a barriga, e a massa magra começa a cair. Eu explico essa mudança, com os números do estudo SWAN, no artigo sobre a barriga na menopausa.

Essa gordura da barriga se relaciona com a resistência à insulina. A insulina é como uma chave que abre a porta da célula para a glicose entrar. Na resistência à insulina, a fechadura fica emperrada: o corpo precisa de mais chave para abrir a mesma porta. Com o tempo, sobra glicose no sangue, a pressão sobe e as gorduras do sangue pioram.

Quando várias dessas coisas aparecem juntas (cintura grande, pressão alta, glicose alta, triglicérides altos e HDL baixo), o nome é síndrome metabólica.

O que é o mio-inositol

O mio-inositol é uma substância parecida com as vitaminas do complexo B que o próprio corpo produz e que também aparece em alimentos como feijões, grãos integrais, castanhas e frutas cítricas. Dentro da célula, ele ajuda a transmitir o recado da insulina. Por isso é estudado como um “sensibilizador” de insulina, ou seja, algo que pode ajudar a fechadura a funcionar melhor.

Como o estudo foi feito

  • Participantes: 80 mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica.
  • Desenho: prospectivo, randomizado (por sorteio) e controlado com placebo.
  • Grupo mio-inositol: dieta + mio-inositol 2 g, duas vezes ao dia.
  • Grupo controle: a mesma dieta + placebo.
  • Duração: 6 meses.
  • Medidas: resistência à insulina (índice HOMA), colesterol, triglicérides e pressão arterial, no início e no fim.

O que eles encontraram

Em comparação com o grupo da dieta com placebo, o grupo do mio-inositol teve melhora significativa da pressão sistólica e diastólica, do índice HOMA, do colesterol e dos triglicérides. Dentro do grupo do mio-inositol:

  • Índice HOMA (resistência à insulina): queda de 75%;
  • Triglicérides: queda de 20%;
  • Pressão diastólica: queda de 11%;
  • HDL (o colesterol “bom”): aumento de 22%.

Os autores concluíram que o mio-inositol pode ser uma opção para tratar a síndrome metabólica em mulheres na pós-menopausa.

Os limites desse estudo

  • É um único estudo, publicado como comunicação curta (3 páginas).
  • 80 mulheres, um único grupo de pesquisa. Resultados assim precisam ser repetidos por outros pesquisadores.
  • Só mulheres que já tinham síndrome metabólica. O estudo não testou se o mio-inositol previne o problema em quem está saudável.
  • 6 meses. Não se sabe o efeito em anos, nem se os números voltam ao parar.
  • Exames, não desfechos. O estudo mediu números de laboratório e pressão, não infarto, AVC ou diabetes.
  • Sempre junto com dieta. O suplemento foi testado como complemento, não como substituto da alimentação.

Quando procurar um médico

Converse com o seu médico antes de tomar mio-inositol se você:

  • usa remédio para diabetes ou insulina (o efeito somado pode baixar demais a glicose);
  • usa remédio para pressão;
  • está em reposição hormonal ou em qualquer tratamento contínuo.

E procure avaliação se você tem cintura aumentando, glicose ou triglicérides altos no exame, ou pressão alta. Síndrome metabólica tem diagnóstico simples e tratamento.

O que fazer na prática

  1. Primeiro a base. No estudo, os dois grupos fizeram dieta. Suplemento entra depois de comida de verdade, sono e movimento.
  2. Peça os exames certos: glicose e insulina em jejum (com cálculo do HOMA), triglicérides, HDL e medida da cintura.
  3. Treino de força 2 a 3 vezes por semana. Músculo é um dos grandes consumidores de glicose do corpo e o treino protege contra a perda de massa magra da menopausa.
  4. Se for usar mio-inositol, faça com acompanhamento profissional e reavalie os exames depois de alguns meses.

A resistência à insulina responde ao controle

O mio-inositol ajudou, mas ajudou mulheres que também mudaram o prato. É isso que eu repito: o suplemento é um reforço, o comando é a rotina.

E o jejum é uma das ferramentas mais estudadas para a insulina depois dos 45. Eu mostro os números no artigo sobre jejum na menopausa. No Clube JeT Lovers, o jejum de comida vem junto com o jejum de tela, de notícias e de adiamento, para você assumir o controle da rotina inteira. O emagrecimento vem como consequência.

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Perguntas frequentes

Mio-inositol ajuda na menopausa?
Num estudo com 80 mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica (Giordano, 2011), mio-inositol com dieta por 6 meses reduziu a resistência à insulina, os triglicérides e a pressão, mais do que dieta com placebo.

Qual dose foi usada no estudo?
2 gramas, duas vezes ao dia, por 6 meses. Isso não é uma recomendação de dose; converse com um profissional antes de usar.

Mio-inositol emagrece?
O estudo não informou perda de peso no resumo. Ele mediu resistência à insulina, gorduras do sangue e pressão.

Mio-inositol tem nos alimentos?
Sim. Feijões, grãos integrais, castanhas e frutas cítricas estão entre as fontes. As quantidades usadas no estudo são de suplemento.

Referências

  1. Effects of myo-inositol supplementation in postmenopausal women with metabolic syndrome: a perspective, randomized, placebo-controlled study. Giordano D, Corrado F, Santamaria A, Quattrone S, Pintaudi B, Di Benedetto A, D’Anna R. Menopause. 2011;18(1):102-104.

Como este texto foi feito

Escrito com apoio de ferramentas de pesquisa e revisado pelo Dr. Renato Silveira, que conferiu cada número no estudo original (linkado nas referências) e responde pelo conteúdo. Política editorial.

Transparência: o autor é diretor-geral do grupo NewHealth / H9 Pharma. Este artigo é educativo e não recomenda produtos da empresa. Conflitos de interesse.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta individual com médico ou outro profissional de saúde.